
A atriz Laura Cardoso, considerada uma das maiores e mais versáteis intérpretes da dramaturgia brasileira, morreu na madrugada desta terça-feira (18), aos 98 anos. A artista passou mal em sua residência, na cidade de São Paulo, e precisou ser internada no final da noite de segunda-feira (17), mas não resistiu. A notícia do falecimento foi confirmada pela filha da veterana, Fátima Cardoso, e divulgada no perfil oficial da atriz nas redes sociais, gerando forte comoção no meio artístico.
O velório é realizado ao longo da manhã e início da tarde desta terça-feira, das 8h às 14h, no bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista. No local, familiares, amigos e fãs se despedem de um dos rostos mais admirados do país.
Com uma trajetória que se confunde com a história da própria atuação no Brasil, Laura Cardoso iniciou a carreira a contragosto dos pais, que não viam a profissão com bons olhos. Sua estreia ocorreu no rádio, em 1942, quando tinha apenas 15 anos, atuando pela Rádio Cosmos. Dez anos depois, migrou para a televisão com a obra "Tribunal do Coração", na extinta TV Tupi, emissora na qual também participou de suas primeiras telenovelas, a exemplo da adaptação do clássico "Os Miseráveis", em 1958.
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O sucesso e o reconhecimento do grande público e da crítica não demoraram a chegar. Em 1963, a atriz conquistou seu primeiro Troféu Imprensa pela atuação em "Moulin Rouge - A Vida de Toulouse-Lautrec", consolidando-se na dramaturgia. A chegada à TV Globo ocorreu a convite do diretor Daniel Filho para a novela "Brilhante", entre 1981 e 1982. Na emissora, Laura deu vida a personagens antológicas e especialmente marcantes em produções como "Fera Radical", "Mulheres de Areia", "A Viagem", "Chocolate com Pimenta", "Caminho das Índias", "Gabriela" e, mais recentemente, "O Outro Lado do Paraíso".
Embora a televisão tenha sido sua maior vitrine e espaço de popularidade, a atriz brilhou intensamente no cinema e nos palcos teatrais. Na tela grande, estreou em 1963 na cinebiografia "O Rei Pelé" e acumulou atuações memoráveis em longas como "Terra Estrangeira", "Através da Janela", "Copacabana", "O Outro Lado da Rua" e "Casa da Mãe Joana".
O talento e a entrega inegáveis ao ofício renderam-lhe honrarias máximas, incluindo quatro Prêmios Grande Otelo, dois Prêmios Shell e diversas homenagens pelo conjunto da obra, como as recebidas no Festival de Gramado e o Troféu Mário Lago. Na vida pessoal, Laura Cardoso foi casada com o ator e diretor Fernando Balleroni por mais de três décadas, união que durou de 1949 até a morte dele, em 1980, e da qual nasceram seus três filhos.


