
A cantora e compositora Carly Simon encerrou um hiato de 18 anos sem material original com o lançamento de seu novo álbum, "Comes in Waves", disponibilizado na última sexta-feira (14). O disco apresenta 12 faixas inéditas e 43 minutos de duração, construídos a partir de uma mescla entre composições recentes e ideias musicais resgatadas de arquivos pessoais que a artista de 83 anos guardava há décadas.
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A idealização e a gravação de grande parte do álbum ocorreram em Martha’s Vineyard, uma ilha em Massachusetts onde a cantora reside. Em vez de iniciar o processo do zero, Simon dedicou-se a explorar seu acervo, recuperando fitas, melodias e letras inacabadas que aguardavam o momento ideal para serem finalizadas. O desenvolvimento do disco também se transformou em um projeto familiar, com forte presença dos filhos da artista com James Taylor. Ben Taylor assina como produtor, músico, cantor e compositor, enquanto Sally Taylor colaborou nos vocais e na concepção visual do projeto. Além da família, o álbum traz contribuições de parceiros históricos da cantora, como Paul Samwell-Smith, Frank Filipetti e John Forté, em uma de suas últimas gravações.
No aspecto temático, "Comes in Waves" transita entre a fúria e o perdão. O primeiro single, "Howl", abre o álbum abordando a frustração e a necessidade de externar a raiva acumulada antes de se buscar a reconciliação. Outro momento de destaque é "Maybe I Never Loved You", cuja letra questiona as fundações de um relacionamento, o casamento e a estrutura familiar. Embora a crítica especializada tenha rapidamente associado a composição a James Taylor, informações apontam que a inspiração original de Simon foi o dramaturgo Tim Mayer.
O retorno musical ganha contornos ainda mais profundos por coincidir com um período delicado na vida pessoal da artista. O lançamento ocorre poucas semanas após Carly Simon revelar publicamente que foi diagnosticada com a doença de Parkinson e que precisou passar por uma cirurgia para retirar um carcinoma basocelular do rosto. Embora o tratamento tenha sido um sucesso, as consequências físicas a levaram a evitar os holofotes nos últimos tempos. Apesar das limitações, a cantora ressaltou que não paralisou sua vida, e o processo de criação do álbum funcionou como um motor para organizar sua rotina e manter sua conexão com a arte. O próprio título da obra sintetiza esse momento, refletindo a visão de Simon de que sentimentos como amor, luto, alegria e criatividade não são lineares, mas surgem e desaparecem de forma imprevisível, deixando novas marcas a cada onda.

