
O cantor e compositor Sting estreia nesta terça-feira (22) o musical autoral "The Last Ship" no aclamado circuito do West End, em Londres. Em cartaz no Theatre Royal Drury Lane para uma curta temporada que se encerra no dia 3 de outubro, a produção conta com canções criadas pelo ex-líder do The Police e traz o próprio artista de 74 anos no palco, interpretando o personagem principal Jackie White.
A obra é considerada um dos projetos mais pessoais da carreira do músico, tendo como inspiração central a sua cidade natal, Wallsend, localizada no nordeste da Inglaterra e historicamente marcada pela indústria naval. O enredo acompanha a luta de uma comunidade de trabalhadores para preservar um estaleiro e, consequentemente, o seu modo de vida diante de profundas transformações econômicas e sociais. Ao explorar temas universais como família, identidade e pertencimento, o musical funciona como uma revisita às memórias de infância do cantor, que já descreveu o processo de criação do espetáculo como uma experiência terapêutica baseada na nostalgia do forte senso de comunidade daquela época.
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Às vésperas da estreia britânica, Sting concedeu uma entrevista ao jornal The Times, na qual celebrou a liberdade criativa consolidada ao longo de sua trajetória e a sorte de poder transformar impulsos afetivos em grandes montagens teatrais. Durante a conversa, o músico detalhou a intensa rotina de preparação física necessária para conciliar a atuação no palco com as demandas de sua carreira musical, destacando a prática diária de yoga, cultivada há décadas, como o pilar para manter seu condicionamento e flexibilidade. No palco, seu personagem atua como o encarregado do estaleiro que tenta mobilizar os operários enquanto lida com os próprios problemas pessoais e de saúde.
O espetáculo tem uma longa trajetória de amadurecimento antes de chegar ao West End, um dos maiores centros do teatro mundial. "The Last Ship" fez sua estreia original em Chicago, no ano de 2014, antes de seguir para a Broadway. Apesar da temporada relativamente curta em Nova York, Sting nunca abandonou a obra, promovendo diversas revisões e novas montagens ao longo da última década. Todo esse universo criativo também se estendeu à discografia do artista, gerando um álbum homônimo lançado originalmente em 2013 e que ganhou uma edição ampliada no ano passado, contemplando o público com cinco novas gravações inspiradas no universo da peça.


