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Paciência e ganância

Por que o Bon Jovi não faria sucesso se surgisse hoje, segundo ex-empresário

McGhee não acha que a indústria foca mais nesse tipo de artista

DA REDAÇÃO • 21/11/2025 às 9:28

Por que o Bon Jovi não faria sucesso se surgisse hoje, segundo ex-empresário
Bon Jovi, uma das bandas mais bem sucedidas da história da música. Reprodução

Bon Jovi, uma das bandas mais bem sucedidas da história da música americana, estourou em popularidade nos anos 1980. Entretanto, a indústria artística não tem a mesma paciência de antigamente. Ao menos essa é a opinião do ex-empresário do grupo.

Em um painel durante o evento Kiss Kruise: Land-Locked in Las Vegas (via Ultimate Guitar), Doc McGhee, que agenciou o Bon Jovi entre 1984 e 1991, discutiu os efeitos nocivos da ganância das gravadoras. Muitos artistas da década de 1980 não iriam estourar hoje em dia, ao seu ver — incluindo seus ex-clientes.

Ele disse:

“Eu acho que o Mötley Crüe estouraria de qualquer jeito, porque era tão ‘contagioso’, como a juventude se conectou a eles. Mas eu não acredito que o Bon Jovi conseguiria, pois demorou bastante tempo até a gente chegar em Slippery When Wet (1986)”

Responsável por trazer hits como “Livin’ on a Prayer”, “You Give Love a Bad Name” e “Wanted Dead or Alive”, Slippery When Wet foi o momento de estouro comercial do Bon Jovi. Ao todo, vendeu mais de 15 milhões de cópias só nos Estados Unidos.

Entretanto, este era o terceiro álbum da banda. McGhee não acha que a indústria foca mais nesse tipo de artista:

“Hoje em dia não tem mais contratos de três álbuns. Temos contrato de um single. Temos 187 mil canções que entram no Spotify todo dia. Isso é loucura. E eles acham que no próximo ano ou dois vai passar de 300 mil por ida.”

Bon Jovi, Doc McGhee e a ganância do mercado

Doc McGhee ainda lamentou como a ganância do mercado interfere até na vida de quem vive de música. Ou tenta viver. Ele explicou:

“A gente costumava ter um ecossistema que permitia todo mundo viver, tipo um recife. Os empresários tinham limites do quanto podiam comer dos peixes, os editores tinham limites também… mas a gente mantinha o recife vivo. Agora, o mundo corporativo veio e matou o recife. Quem surge agora fala: ‘Não consigo fazer dinheiro com turnê, está caro demais. Não consigo exposição no Spotify, em lugar nenhum, porque está tudo poluído, tem informação demais no mundo.”

Segundo o empresário, essas questões leva artistas a abandonar a carreira por empregos mais estáveis. Entretanto, McGhee vê um cantor da nova geração capaz da mesma conexão com o público que os astros de antigamente: Yungblud.

Informações: Rolling Stone

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